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Anseio por te dar muito, mais

Amarras o meu cadarço e meus dedos aos seus também. Levas minha bolsa, nosso copo e um pouco de mim, já.

Rio de suas cantaroladas e de suas fotografias planejadas. Enquanto olho para seus olhos que sob a luz das avenidas e da lua, tornam-se esverdeados.

Sinto sua pele em mim, tão quente que não quero me cobrir. Não tire suas mãos da minha derme. Ouço minhas músicas com ouvidos cheios de quimeras que você plantou no meu interior. 

Acho que ando preferindo os tempos que não te encontrava, pois a saudade não seria tanta até o possível encontro. Encontrar-te me deixa tão a flor da pele, porém esperar até nossas pupilas se cruzarem outra vez faz com que meu pensamento fixe só neste futuro momento. Distraio-me com tudo, em tudo.

Quero tanto me encaixar dentro de seus braços mais uma vez e logo. Quero tanto te aconchegar em meu peito. Quero sentir sua cabeça apoiada em mim, no seu lugar preferido.

Tenho tanto para te dar ainda, todavia faça ser tudo real e surreal.

Joaquina O’Hara

Minha mente está vazia, meu interior não flui nada de anormal. Na verdade, tem algo anormal sim, pra quem sempre tem algo a pensar, algo a escrever não ter nada é estar com algo errado. Mas até aqui ainda não descobri.

Meus dedos precisavam de um pouco de liberdade para se movimentar de forma um tanto agradável, mesmo não tendo motivos. Minha pele precisava sentir estar despindo-me. Eu só precisava escrever, qualquer coisa, qualquer caso, apenas escrever.

Joaquina O’Hara

Para princípio, quero deixar claro que esta não será mais uma dessas cartas de amor, muito pelo contrário. É uma carta de ira e cólera. Quem bem me conhece, também bem sabe que não uso palavras de baixo calão. Mas eu estou puta. 

Eu cansei e meus estoques de convites para você zeraram, estão escassos e não sei se terei ânimo para repor. Cansei também de recusar tantos outros convites, de deixá-los enfeitando a minha mesa, cansei de olhar para todos eles e recusa-los. Talvez, eu devesse largar mão e ir mesmo, afinal de contas nada me prende. A única que me prende, sou eu mesma.

Teus olhos não me alcançam, não consegues ver minhas pisadas no chão. Eu poderia fazer de tudo, você nunca saberia, não há quem te conte. Mas se me perguntassem se fiz algo de “errado”, eu diria que não, se esta for a verdade; e se eu tivesse feito, não omitiria. Mas a questão é que não quero, não quero te trocar, não me permito. Talvez eu já tenha me apegado a quem você é, a quem temos nos tornado, e esse é o meu único erro. Porque desde o começo sabíamos que isso poderia não durar tanto. Desde o começo sabíamos que não conseguiríamos andar passo a passo, lado a lado. 

E eu só me apeguei cada vez mais. Meus dedos já estão entrelaçados nessa grande bola de fios cheios de nós. Mas pode ter certeza, que se eu quiser descomplicar tudo isso, eu pego e corto os fios sem mais nem menos, sem querer desfazer nó algum, apenas cortando-os. Todavia, eu ainda não quero isso.

E ando me odiando, por ter tanta fé, tanta esperança em algo que todos dizem que não dará certo, em algo que não deverá acontecer, ou que eu não deveria deixar continuar. Talvez, eu goste de ser teimosa e ver no que dá. 

E no fim, bem sei que essa foi mais uma carta, mais uma baseada naquilo que chamam de amor. Baseada naquilo que nunca deu certo por inteiro para mim. 

Joaquina O’Hara

Ah George Foster, sei que seus anseios para viver outro mundo e realidade são grandes, mas andas seguindo pelo caminho que mais te entorta, andas por onde sua morte chega mais rápido.

Fazes o que te apraz momentaneamente, sem querer lembrar daquilo que vem depois. Tão pouco ligas para o que pode acontecer, tão pouco queres se importar contigo mesmo. 

Eu sobrevivo, eu continuarei com minhas próprias pernas. Mas é que não posso largar-te, não é do meu feitio abandonar alguém, principalmente se esse alguém já tem um espaço reservado em mim.

Usas o que bem queres e já não lembras mais nem o que deverias. Já não lembras de mim, suas promessas são quebradas juntamente com as minhas reservas de amor. 

Até as saudades que dizes sentir de mim, são rasas comparadas as suas próprias vontades de viver o irreal. 

Foster, pare com tudo isso, porque andas me perdendo e principalmente perdendo a ti mesmo. 

JoaquinaO’Hara 

A cada palavra escrita eu vou me despindo. Torno-me nua a cada sílaba que torna-se concreta. 

Escrevo e liberto-me, escrevo e torno-me. 

Eu ando me despindo demais em público, o que eu mais abomino. Todavia, tem sido o que me alforria de todas as minhas agonias. De agonias desnecessárias à  abraços mal encaixados.

Joaquina O’Hara

Morango, cravo e canela

E até o sorvete de morango que comi hoje, me fez lembrar de você. Sem razão coerente, sem sentido algum. Ouvi as trovoadas, vi os raios e tudo o que eu queria era estar de mãos dadas contigo, fugindo dessas gotas geladas mais uma vez.

E eu nem sei como dar alguma explicação só sei que sinto sua falta hoje, por não falar contigo, por não te ver. Porque fico satisfeita só em ficar paradinha te olhando, observando sua expressão serena enquanto traga seus cigarros com gosto de cravo e canela e expira aquela fumaça branca no vento.

Há uma brasa dentro dos meus peitos que estão me consumindo, meus braços querem te abraçar, meu corpo quer se sentir envolvido pelo teu. Meus lábios sentem falta dos seus, sentem falta de tocar seu pescoço. Minhas narinas querem sentir seu cheirinho.

Eu não quero. Não queria. Quero. Estou caindo a cada vez que te encontro – e quando não, também – eu sou tão fraca, eu sei que às vezes tenho cara de destemida, mas sou frágil. Segure-me. 

Joaquina O’Hara

Perdoe qualquer frieza minha, qualquer ato que não foi tão quente quanto esperavas. Aquece-me e não desista de mim, por favor.

Eu te esperarei e prometo não te deixar, não te ferir. Em troca, eu só peço que fique comigo, que me ensine a amar, que me faça ser adorável assim como dizes que sou. 

E sobre sentimentos que exponho, eu não brinco. Então não jogue nada fora quando eu te oferecer algo, pois são peças raras e sinceras. 

Tenho tanto medo de ser quem estará choramingando aos cantos escondidos, porém meu maior medo é te machucar. 

Se quiseres, eu cuido de você. Eu te aqueço para sempre, como naquela noite. Andamos de mãos dadas, fugindo da chuva que tanto odeias. Nos entre olhamos, entre nosso olhos pequenos. 

Só não deixe que o tempo nos consuma, nos sature. Porque eu prometi te esperar quando me questionastes.

De Joaquina O’Hara esperançosa para Geoge Foster